Não se discute...

Mas bem que deveria.

(01-mai-2011)

A liberdade e o colesterol

Recentes acontecimentos me levaram a querer escrever sobre isso. Tempos atrás meu médico reclamou que meu colesterol (o ruim) estava aumentando. Olhamos minha alimentação e ele resolveu tirar uma das poucas coisas que como “errado”. Lá se foi meu prazer diário de comer um teco de chocolate.

Outro ocorrido me fez rememorar e reviver esta passagem. A escolha de abrir mão de um prazer para poder manter a saúde física, mental e emocional.

O cigarro faz mal, já não posso fumar onde bem entendo. Tenho que beber de forma moderada. Não posso dirigir livremente: tem rodízio e blitz com bafômetro; tem radar pra me multar espalhado pela cidade inteira. Tudo isso pra preservar a vida. Válido, mas e a vida que se deteriora em cada congestionamento? E o stress causado pelo medo de um assalto na marginal parada? Quem ressarce, quem proíbe?

Tenho que ser coerente, viver de acordo com  valores que acredito. Mas tem horas que dá vontade de jogar tudo pra cima e simplesmente viver.

São as tais escolhas, o puto livre arbítrio:  diga sim aos pastéis engordurados comidos com prazer, acompanhados de litros de cerveja gelada e risadas entre amigos, e conviva com a Sinvastatina…

Pode? Sim…

Deve? Não…

De qualquer forma, experimente substituir os pastéis por folhinhas de alface, a cerveja por um suco de clorofila e… fique sem amigos.

Alguns de nós morreremos de enfisema provocado por anos de fumo, outros por infartos causados pelo excesso de gordura e stress. Outros, porém, morrerão atropelados, de velhice, de amor, de saudade! Mas veja, é quase uma ordem mundial: temos que nos cuidar para afastar algo que não tem data certa pra chegar. Exagero? Sim, é claro.

E aí vemos que não é só isso, vamos nos submetendo às pequenas ilusões ou nos permitimos pequenos deslizes – as famosas pequenas indulgências – que não se reduzem simplesmente a comida. São virtudes que traímos, crenças que atropelamos, instituições que corrompemos.

São momentos fugazes de puro prazer, seguidos por ressacas físicas e morais encharcadas de culpa.

Tudo isso por conta do cuidado com o futuro. Por conta da preservação da saúde e do equilíbrio.

Tem coisa mais chata do que ser 100% equilibrado? Pois até dentro do equilíbrio é preciso sair do prumo… sem isso não haveria porque retornar ao ponto zero. Afinal de contas, sem os extremos não haveria ponto zero pra se chegar.

Enquanto isso, torresminhos crocantes jazem sobre bandejas, prontos para serem consumidos com caipirinhas geladas cheias de açúcar. São momentos perfeitos passados com quem “não se deve” fazendo o que “não se pode”… coisas que nos deixam absolutamente fartos e felizes.

E aí pergunto: liberdade ou colesterol?

Creio que cada  um é livre e sabe bem onde lhe doerá a crise pós prazer do exagerado. Se viver com moderação é as vezes enfadonho, calculo ser privado da vida por não ter tido qualquer moderação, ou pior ainda, afetar a vida de outras pessoas por conta da nossa satisfação plena e absolutamente egoísta.

Se a vida fosse absolutamente solitária, faria sentido agir como se não houvesse amanhã. Mas o amanhã sempre chega. Como sou humana e propensa a erros (e obviamente meu índice de colesterol é ainda controlável) ainda como chocolate, mas só uma vez por semana.

Claudia Santos

5 comentários

(08-abr-2011)

Reflexo

Todo mundo escrevendo sobre a tragédia no Rio de Janeiro e eu me perguntando o dia inteiro: será que é necessária mais uma opinião?

Pensando, eu vi que embora eu tenha discordado da maioria das coisas que  li, o assunto não precisa de mais um comentário, porque para mim é só tristeza e este tipo de tristeza eu prefiro não falar, eu sinto profundamente, respiro, suspiro e deixo ir embora. O mundo não é justo, grande parte das pessoas não merece o que lhes acontece, mas acontece mesmo assim.

O que me chocou hoje foi ver o sensacionalismo, as opiniões demonstrando a imbecilidade da raça humana, as ideias esdrúxulas ditas por pessoas que simplesmente não fazem nada a não ser falar, falar, blá blá blá zzzzzzzzzzzzzzzzzzzz.

Em contrapartida há pessoas que nos surpreendem de maneira absolutamente positiva, gente que simplesmente pensa. Eu fui alertada há pouco tempo de que quase não pensamos. Estamos o tempo todo reagindo ou agindo de forma automatizada, são apenas em determinados momentos que alguns (bem poucos) veem e pensam no que estão fazendo.

Felizmente nem todos são assim, hoje eu tive mais esperança na humanidade, na juventude, porque tive o prazer de conversar com alguém que pensa, que não quer ser mais do mesmo, que não está na vida a passeio e que tem vontade de fazer melhor. Não apenas o seu melhor, o que por vezes é medíocre diante do todo; mas fazer o melhor verdadeiramente, aquele que leva em conta valores honestos, elevados, amorosos.

Sem hipocrisia e sem julgamentos apressados esta pessoa é especial exatamente porque não vai se vender para o sistema, ou pelo menos se tiver que se render saberá exatamente o que está fazendo. Porque pensa.

Hoje eu conversei comigo mesma – não necessariamente nesta ordem.

Renata

1 comentário

(28-mar-2011)

5 Pecados capitais

Já que recebi uma direta do fã número 01 deste blog por não falar de moda masculina resolvi fazer um top 05 dos crimes que podem ser cometidos pelos homens quando o assunto é: VESTUÁRIO.

Adianto que as imagens a seguir são chocantes, tirem as crianças da sala.

Se voce, homem, achar as imagens normais, reveja imediatamente seus conceitos, esta lista tem base científica.

NÚMERO 05 – Objetos pendurados no cinto

Amigo não pendure nada, eu digo nada, no cinto, a não ser que voce seja guarda ou construtor – mesmo assim saindo do ambiente de trabalho TIRE O CINTO. Tem gente que acha bonito ter até dois telefones celulares no cinto, com o perdão do trocadilho: sinto muito isto é ridículo.

NÚMERO 04 – Óculos na cabeça

Quando tiver que tirar os óculos escuros pendure na camisa, segure na mão ou mesmo jogue fora (não vai pendurar os óculos no cinto, leia o número acima novamente), mas nunca – sob hipótese nenhuma – coloque os óculos na cabeça. É feio, dá um ar gay requengela ou coisa de velho mulambento.  Mulheres têm este privilégio – apesar de eu achar pouco elegante – mas voces meninos… JAMAIS!

NÚMERO 03 – Meias brancas com sapato social

Acho até perdoável não seguir a regra: meias da cor da calça, mas PELO AMOR DE DEUS meia branca com sapato social é simplesmente um lixo. Voce não vai fazer o estilo desleixado saindo assim da sua casa, voce vai virar motivo de chacota.

NÚMERO 02 – RIDER

Vai por mim, não discute: JOGUE ESTA PORCARIA FORA!

NÚMERO 01 – POCHETE

Pochete é o equivalente a calcinha bege com o elástico esgarçado, entenderam? É broxante. Na minha humilde opinião este é o item máximo da cafonice, eu não consigo nem olhar, quiçá comentar. Não use. Não use. Não use, por favor.

PS: Não é preciso dizer que nem no Pólo Norte se transa com uma mulher usando meias, né?

Renata Santos

13 comentários

(24-mar-2011)

Propaganda F. C.

Fã do blog, notei que a nossa querida autora (meu texto vai entrar? rs) até agora só escreveu sobre moda feminina. Ok, ela é mulher, o que dá uma certa lógica na preferência de escrita. Mas os homens como ficam? Não… não será comigo que a moda masculina terá vez. Entendo pouco (ou muito pouco) disso. Mas entendo pouco mais (ou muito pouco mais) de futebol. E tem me revoltado o que os times têm feito com as camisas de jogo.

Sim, as camisas dos times brasileiros de futebol viraram outdoors ambulantes. Olhe estas imagens. Não dá!

Os clubes brasileiros descobriram há pouco tempo a “mágica” da publicidade. Estão criando lojas e licenciando corretamente seus produtos, mas, que pena, acabando com suas camisas.

O futebol brasileiro hoje é o terceiro que mais arrecada com patrocínio em camisas mundo afora, de acordo com o levantamento da Sport+Markt, consultoria alemã do mercado esportivo. Em 2010 lucraram cerca de 104,6 milhões de euros em patrocínio. Somente o futebol inglês e o alemão têm arrecadação ainda maior, 128 milhões de euros e 118 milhões de euros respectivamente. Mas lá eles conseguem dar orgulho a seus torcedores.

Olhe a camisa do inglês Arsenal.

E a do também inglês Chelsea.

O que estamos fazendo de errado? Ainda bem que a Fifa não permite patrocínio em camisa de seleções, senão a canarinho estaria toda disputada.

No caso do Barcelona, havia 111 anos que o clube espanhol jamais tinha estampado as camisas do clube com patrocínio. Aliás, o time dava-se ao luxo de colocar em sua camisa a logomarca da Unicef, sem qualquer lucro. Mas por causa da “crise financeira” (se o Barça está em crise, o mundo acabou!), o clube aceitou receber 30 milhões de euros por ano da Quatar Foundation para estampar o logo da empresa em seu manto.

Por aqui, as lojas já perceberam que vender camisa cheia de logo está com nada. Por isso começam a oferecer modelos sem os patrocinadores. Pelo menos é uma saída a quem deseja carregar o time no peito, não um monte de anúncios.

Danilo Vicente (coautor do blog http://www.naoentendemascomenta.com)

6 comentários

(15-mar-2011)

O Japão é aqui

Estou super comovida com o ocorrido no Japão. Vejo que a comoção é geral e não é para menos, é uma tragédia histórica, com proporções ainda desconhecidas.

O estranho é que muitos de nós deixou de se comover e indignar com imagens cotidianas daqui do Brasil.

Brasil – Foto Agência do Brasil

Japão – Fonte: O Estadão

Lixão no Brasil – Fonte: blogdofavre.ig.com.br

Tsunami no Japão – Fonte: Diário do Grande ABC

Brasil guerra de traficantes Duque de Caxias – Fonte: picarelli.com.br


Pesquisa de radiação – Japão – Fonte: Extra

Brasil

Parece que a tragédia no país dos outros é maior, não é?

O Japão teve um terremoto, um tsunami e a explosão de reatores nucleares. No Brasil – nas fotos que postei – não havia ocorrido nenhum evento da natureza (só os da natureza humana mesmo).

Eu sinto muito por todas as tragédias.

O desastre no Japão foi inevitável, já o que acontece aqui no Brasil é passível de evitar, reverter, depende de nós.

Renata Santos

5 comentários

(17-fev-2011)

Nota

Assim como as nossas impressões digitais são únicas, nossa personalidade também é. Por vezes penso que somos notas musicais. Únicas, mas que apenas em conjunto formam uma música.

A mesma nota musical tocada repetidamente não tem sonoridade, daí os sustenidos e bemóis formam a nossa música enquanto sozinhos. Estamos sempre no desequilíbrio e ele faz com consigamos produzir nossa música solo, capaz de mover, tocar, alegrar, comover e até mesmo irritar o outro.

Quando nos deparamos com notas afins a nossa vida se enche de música agradável, gostosa de ouvir e de dançar e de rir e de chorar. São as notas amigas, que nos acompanham sempre.

Por vezes as notas até têm sonoridade entre si, mas estão descompassadas, não há harmonia, a música não acontece.

Outras vezes nos juntamos a notas musicais que produzem um excelente som, um jazz, por exemplo, mas logo cansamos daquelas repetições, da falta de letra nas músicas e assim nos afastamos e saímos em busca de outros sons, de outras melodias.

No andar pela vida nos deparamos com notas que conseguem nos acompanhar e que por vezes nos fazem mudar nosso ritmo para segui-las, tudo em nome de uma boa música, mas se há muito esforço há cansaço.

Não adianta tentar ser outra nota só para acompanhar aquela que gostamos, a nossa sonoridade vai aparecer uma hora, vai haver o desafino e perceberemos quão grande foi o desatino em tentar produzir aquele som.

Mas tem um dia, em que a chega aquela nota única que combina perfeitamente com a nossa, neste dia ouvimos a melodia indescritível a tão esperada música que fica bem em todos os ritmos. Este dia não é o fim, é apenas um novo começo, será aberta uma nova partitura e enquanto houver afinação e criatividade, dançaremos loucamente a mesma música.

Renata Santos

4 comentários

(25-jan-2011)

Te amo e te odeio

Acho que te amo mais pelo costume. É. Pelo costume de te amar. Porque nos últimos anos mudaste tanto.

Antigamente você era mais tranquila. Está bem, tranquila nunca foi uma palavra para te definir, foste mais estável, mais conhecida. Eu sabia exatamente em que momento te tornaria insuportável, agora não sei mais, por vezes quando penso que estarás indisponível, lá estás livre, desimpedida, como se estivesse me esperando. Eu não te entendo mais, teus horários, teu “modus operandi”.

Talvez me responda que é exatamente neste mistério que ocultas a tua beleza, lhe rebato que não, porque a surpresa por trás do mistério tem sido, na maior parte das vezes, deveras desagradável.

Eu sempre te amei. Primeiro sem motivo, depois foi me cativando o teu colorido em tons de cinza, tuas inúmeras possibilidades, tua disponibilidade nas 24 horas de todos os dias.

Sempre amei caminhar nas tuas rotas, desvendar as tuas novidades, comer e beber do melhor, no melhor lugar, com o melhor atendimento. Eu sei que tudo isto está aqui ainda, mas o preço que se paga é tamanho que é inconcebível quedar-se satisfeito.

Com o tempo, me tornastes arrogante. Arrogante de te possuir, porque te dizia a melhor, a maior.

Eu andei por aí, bem sabes, descobri que tua força não é suficiente dada a tua instabilidade, que teu poder é efêmero porque não te aguentas mais, te tornastes maior do que ti.

Eu sempre voltei para os teus braços, por vezes insatisfeita, mas com aquela sensação única de que só a ti eu poderia chamar de lar. Meu porto seguro.

Busco justificativas para aquilo que eu sinto, sendo de verdade o amor.

Ainda me encanta a tua diversidade, mas eu odeio a tua falta de regras, a tua desigualdade, a tua falta de respeito, de solidariedade. Faço tudo para não tornar-me igual a ti, mesmo sabendo que não vou vencer-te. Pode ser porque me iludes deixando de ti nascer uma flor debaixo de tanto concreto, permitindo que pássaros tão variados voem no teu céu cinzento.

Eu te amo e te odeio, mas não te deixo, porque tu sempre colocas em meu caminho uma descoberta tirada das tuas entranhas, que me conduz para lugares lindos, pessoas inesperadas.

Enfim, sabes como despertar em mim a cada dia um novo sentimento que me direciona, invariavelmente, a ti São Paulo.

Renata Santos


1 comentário

(19-jan-2011)

Cortaram também a sua voz

Adoro Big Brother desde o primeiro, em minha opinião o melhor.

Então são 11 anos de observação de gente na gaiola. Acho interessantíssimo ver as ações, reações e emoções humanas. Penso que a Globo sempre acerta na escolha dos participantes, são todos chatíssimos nos primeiros dias, mas depois que vamos acostumando com eles escolhemos nossos favoritos e passamos a torcer.

Evidente que meu lado trash também fica muito satisfeito com todas aquelas bobagens ditas em rede nacional.

Lá ia eu perdendo o foco…

Quero mesmo falar da transexual do BBB 11 eliminada no primeiro paredão, a Ariadna. Foram tantas as discussões que eu vi sobre a moça em uma semana de programa, que realmente não dava para não escrever sobre.

O primeiro tema das discussões girou em torno da Ariadna ter ou não que se revelar como transexual para seus amiguinhos de confinamento. A grande maioria das pessoas que eu conversei achava mesmo que ela deveria abrir o jogo. Eu discordo nunca me apresentei dizendo que sou heterossexual. Só porque se é diferente tem que contar para todo mundo? Não.

Outra parte dizia que era uma mutilação a operação para se tornar uma transexual. Concordo, mas se a pessoa prefere passar por isso, nunca mais ter um orgasmo (ejaculatório) na vida, imagina o sofrimento dela? Ela é portadora de um sexo que não lhe pertence. Seria o mesmo que sonhar que eu tenho um pinto – pé-de-pato-mangalô-três-vezes – adoro ser mulher. Cada um que tenha todo o direito sobre o seu próprio corpo.

E a maioria esmagadora questionava o fato dela se atirar para cima dos homens. Ela se considera mulher, mudou o corpo para parecer com uma, querem o que? Que ela fique atrás das meninas? Não tem como.

Sempre pautei todos os meus relacionamentos na honestidade, penso que seria legal se rolasse um envolvimento dela com alguém ela contar que é transexual, para saber se o outro topa, se segura a onda. Penso a mesma coisa dos bissexuais, dos sadomasoquistas e até dos que não gostam de sexo oral ou gostam de sexo devagar, tudo tem que ser conversado.

Fiquei arrasada – só porque eu sou ingênua – de ver que os votantes decidiram por sua eliminação, uma atitude clara de preconceito, porque aquela “concorrente-contentinha” é osso duro de roer.

Acho que nós telespectadores perdemos de ver uma grande personalidade, diferente de verdade. Perdemos a chance de saber como pensa e sente um transexual. Para mim a Ariadna era a personagem mais interessante deste reality. Talvez ela pudesse melhorar um pouco a questão do preconceito.

Ficamos no talvez porque certamente não estamos preparados. Mesmo assim, ponto para Rede Globo, que não fez um beijo gay em novela até hoje, mas teve a coragem de colocar na cara do Brasil que a diversidade sexual está aí, mesmo que não queiram vê-la!

Renata Santos

2 comentários

(13-jan-2011)

Ronaldinho Gaúcho: aproxime-se para trás

Faz tempo que eu não falo de futebol, o motivo é bastante óbvio: eu não entendo de futebol.

A minha forma de discutir futebol por aqui não requer grandes entendimentos, até porque escrevo sobre o que poucos discutem, mas bem que deveriam.

O leilão do Ronaldinho Gaúcho me deixou com uma raiva… foi um embaço para dizer qual o seu próximo time, chegou até a marcar uma coletiva para anunciar e não o fez… que que é isso?

É a elevação de um craque a um patamar superior e não autêntico, como se ele fosse a “bala que matou Kennedy”.

Se tivesse profissionalismo neste tipo de transação seria tão bonito, tão respeitoso com os torcedores.

Mas não. O que eu vi foi o Assis (irmão do jogador) com ares de professional agent fazendo uma pataquada depois da outra, sem noção.

Por fim, acho que todos ficaram como eu, querendo mais é o que Ronaldinho fosse pra puta que o pariu!

Renata Santos

7 comentários

(10-jan-2011)

O QUE DIZER DAS REDES SOCIAIS? DEPENDE DE COMO SE DEITA NELAS

O QUE DIZER DAS REDES SOCIAIS? DEPENDE DE COMO SE DEITA NELAS

Há algum tempo venho postando sobre a quantidade grande de “amigos” inscritos nas redes sociais virtuais e dos muito poucos amigos inscritos nas redes da vida real.

Mas o que então dizer sobre os relacionamentos e as redes sociais? Depende de como se deita nelas.

Obviamente a Internet contribui absurdamente para facilitar nosso dia a dia. Já não saberia viver mais sem o Google, ainda mais eu que sou do tempo da Enciclopédia (Barsa, lembrarão os da minha geração) e do Guia de Ruas de São Paulo.

Para quem quiser se aprofundar mais no assunto dos relacionamentos humanos atuais, recomendo a leitura de “Amor Líquido – Sobre a fragilidade dos laços humanos” do Zygmunt Bauman. Já no prefácio ele diz:

“…. – uma rede serve de matriz tanto para conectar quanto para desconectar; não é possível imaginá-la sem as duas possibilidades. Na rede, elas são escolhas igualmente legítimas, gozam do mesmo status e têm importância idêntica.”

E não falamos só da Internet, outro aparelhinho que mudou nosso comportamento foi o celular.

Quando eu era mais menina, a gente tinha o telefone da casa onde o amigo morava. Ligava e alguém sempre atendia, mesmo sem saber quem estava do outro lado da linha. Hoje em dia, eu raramente sei, sequer, onde mora a pessoa, com quem vive e menos ainda se vai dizer “ALÔ” quando eu ligar pra ela.

É o novo poder que temos nas mãos, posso atender ou não, posso me conectar ou ficar “invisível”. Posso deixar recado ou mandar mensagem. Sequer preciso ouvir a voz do outro lado da linha.

E os e-mails então? Sentido máximo de urgência.

A Internet fez com que tivéssemos que dar conta de pensamentos ágeis, respostas prontas… e nem sempre satisfatórias. Há pouco espaço para arrependimentos. Deu enter? Já era! Talvez isso tenha criado defesas, maior superficialidade, só pra garantir.

Somos seres que se conectam e desconectam com uma velocidade incrível. O Twitter nos faz econômicos, mais objetivos, são poucos caracteres para dizer o que estamos pensando. E temos a possibilidade de saber o que pensa quem sequer conhecemos pessoalmente. Não é mesmo incrível?!?!?

O 4square me diz onde fulano está – como se me interessasse saber. Eu queria saber mesmo onde está aquele cara pelo qual me apaixonei perdidamente quando tinha 20 anos. O que ele faz agora? Onde vive? Sim, posso tentar buscá-lo na rede, mas preferia ouvir de sua boca o que fez nestes últimos 24 anos. Seus sonhos se realizaram? É feliz?

Isso nenhuma rede mostra. Nenhuma rede é capaz de nos trazer alívio para os momentos de angústia e solidão. Podemos dividir as alegrias do time que ganhou, mas e o brinde e pulos durantes os jogos que dividíamos com os amigos?

Na rede podemos fingir ser qualquer coisa. Podemos nos fingir super politizados, cheios de segurança, verdadeiros heróis da resistência. Vamos a todas as baladas, conhecemos todas as músicas, as últimas novidades em tecnologia, vemos todos os filmes, assumimos vários papéis.

Na vida real também pode ser assim, mas a verdade é outra. Os olhos nos olhos não nos deixam enganar por muito tempo. A camiseta torta e o cabelo desalinhado, as olheiras, as rugas de preocupação, os cabelos brancos, ou a falta deles… essa é a nossa verdade. Tá na cara. Quando perguntados sobre algo que não sabemos, não tem Google na hora pra nos salvar.

Adoro as redes, tenho twitter e uso bastante o Facebook, mas gosto mais ainda dos botecos e restaurantes, das casas das pessoas e encontros surpresa.  Preciso de gente real, com problemas reais e palavras reais pra me elogiar ou dar bronca.

Quer se deitar na rede? Fique a vontade, mas se posso dar um conselho: certifique-se de ter por perto aquela amiga que vai concordar que sua cara está ótima hoje ou argumentar que você deveria parar de usar aquele vestido que te engorda horrores na foto. Tenha sempre aquele chapa que vai dizer que você é uma romântica – pra não dizer burra – inveterada… ou que o corte do seu cabelo ficou legalzinho, mas ainda bem que cresce!

É… a vida ao vivo também tem lá seus riscos! Mas acho que vale a pena enfrentá-los se você quer ter uma vida de verdade.

Claudia Santos

1 comentário